Comunicação Treinador

    Ferreira (1994), considerou o treino como um momento privilegiado para o desenvolvimento do processo ensino/aprendizagem, considerando que o treinador pode simular todas as especificidades e os condicionalismos integrantes do jogo inerentes à competição, com o intuito de atingir os objetivos do desporto de competição, onde todos os intervenientes devem contribuir para uma profunda socialização subjacente no respeito de cada individualidade, sendo o momento onde são medidas forças e capacidades entre duas equipas em confronto, sem alienação induzida pelo principio que só a vitória conta, e que para além dos atletas, o treinador tem que assumir um papel primordial na direção de todo o processo ao nível da gestão, orientação e direção da equipa.

        Pinto (2004), aclarou o princípio de que um treinador que vise ter sucesso deverá apetrechar-se de um conjunto de competências para a sua intervenção pedagógica, fundamentadas nos fatores determinantes das performances da modalidade desportiva, mas também reunir conhecimentos que lhe permitam um eficaz planeamento ao nível físico, técnico, tático e psicológico adaptado à sua equipa.

       Assim e segundo Mesquita (2005), o treinador é o responsável pela iniciação, orientação e especialização dos atletas, tendo uma intervenção importante na sua formação enquanto praticantes e cidadãos. A competição deve ser contextualizada num clima motivador para que os atletas possam aplicar os conteúdos adquiridos no processo de treino, promover o espírito que ambicionar ganhar é legítimo, mas contudo deve estar devidamente preparado para a derrota, encarando-a como uma evidente demonstração da necessidade de um maior empenho, correção e aperfeiçoamento das lacunas verificadas.

          Morais (2007) defende que o cerne da motivação de uma equipa, por parte de um treinador que tem como objetivo um ótimo rendimento, tem por base a articulação do uso adequado dos estilos de liderança, o saber ouvir e a capacidade de elogiar e repreender com critério.

            Assim, um ótimo rendimento dos atletas é atingido pelos treinadores de sucesso, que se diferenciam pela capacidade de comunicação (Hotz, 1999).

          Segundo Cook (2001), a capacidade de comunicar é fundamental para que a relação entre o treinador e o atleta não seja envolta por conflitos, uma vez que a boa comunicação é vital para a promoção de um ótimo rendimento traduzido no êxito da equipa.

      Santos (2003), definiu como essencial que a comunicação no decurso de uma competição seja eficaz, possibilitando deste modo ao treinador a conquista da sua liderança perante a sua equipa e, sendo decisivo no atleta, para a obtenção de motivação, auto-confiança e a auto-estima necessárias a uma ótima performance e rendimento. Independentemente do seu perfil de liderança, é importante que o treinador domine as técnicas de comunicação que lhe permitam uma eficaz gestão do grupo/equipa.

             Moreno e Alvarez (2004),visando elaborar um modelo de eficácia do comportamento do treinador, sugerem algumas orientações para uma eficaz atuação do treinador em competição, aludindo que a informação prestada pelos treinadores deve ser primordialmente tática, individual, de caráter fortemente positivo e centrada na própria equipa e na equipa adversária.Mencionam também, que os momentos de intervenção do treinador, perante a sua equipa no decurso de uma competição são: antes do jogo, na substituição dos jogadores, durante o jogo, no intervalo e após o final do jogo.

    Em competição a eficácia das instruções fornecidas pelo treinador depende da capacidade dos atletas de retenção e compreensão da informação, promovendo um melhor nível de performance. A capacidade de processar a informação por parte dos atletas pode ser afetada pelo stress e ansiedade experimentados em competição. Também a quantidade e natureza da informação transmitida pelo treinador são fatores que afetam o nível de retenção e compreensão dos atletas, segundo Mesquita, Rosado, Januário & Barroja (2008).

          Bolchover e Brady (2008) referem também, que é essencial que uma comunicação seja clara, precisa e concisa ao nível das instruções, devendo as informações mais complexas ser transmitidas de uma forma sintética, para uma melhor perceção por parte dos atletas.

Considerações finais

      Treinar pode ser considerado fundamentalmente como o resultado de um conjunto ações e comunicações eficazes. Através de um estabelecimento de objetivos, o treinador tem que evidenciar as suas competências, tendo em conta que os seus comportamentos e atitudes, são fatores primordiais para a rentabilização do processo de treino, bem como da evolução dos atletas, considerando os fenómenos inerentes ao processo ensino/ aprendizagem no âmbito das suas diferentes vertentes e contextos. Os treinadores devem alicerçar a sua atividade numa constante atualização de conhecimentos, tornando-se desta forma mais eficazes nas respostas às solicitações imprimidas pelas novas exigências.

       A intervenção do treinador tem um caráter determinante no rendimento individual, bem como no rendimento da sua equipa considerando a influência promovida no desenvolvimento das performances dos atletas, ao nível das aprendizagens alcançadas e das capacidades desenvolvidas. Assim, um treinador deverá encontrar-se apetrechado não só de um vasto conhecimento específico da modalidade, mas também das componentes que caracterizam o desenvolvimento inerente ao escalão etário da sua equipa.

    De acordo com o exposto, um treinador pode abarcar um vasto conhecimento sobre metodologia, pode conhecer bastante sobre a modalidade desportiva, pode ser exímio na observação do jogo, mas o êxito da sua atuação está subordinada à comunicação estabelecida com os atletas da sua equipa. Talvez este seja o motivo, por que a intervenção do treinador em competição é tão apreciada por os atletas, dirigentes, adeptos e mesmo pelos jornalistas. O treinador é deste modo, o responsável pela construção, aplicação e aferição do modelo de jogo, sendo que cada um concebe um modelo mental de jogo.

Bibliografia

  • Bolchover, D., Brady, C. (2008).O Gestor de 90 minutos. As lições de gestão dos melhores treinadores do mundo. Lisboa: Editora Lua de Papel.
  • Cook, M. (2001).Dirección y entrenamiento de equipos de fútbol. Barcelona: Editorial Paidotribo.
  • Ferreira, A. (1994). O comportamento do treinador no treino e na competição.Horizonte, 11:61-65.
  • Hotz, A. (1999). Corrigir apenas o estritamente necessário, variar o mais possível.Treino Desportivo, 2:22-36.
  • Mesquita, I. (2005).A Pedagogia do Treino. A formação em jogos desportivos colectivos. Lisboa: Livros Horizonte.
  • Mesquita, I., Rosado, A., Januário, N., Barroja, E. (2008). Athlete’s retention of coach’s instruction before a judo competition.Journal of Sports Science and Medicine, 7:402-407.
  • Morais, T. (2007).Compromisso, nunca desistir. (4º ed.). Lisboa: Booknomics.
  • Moreno, P., Álvarez, F. (2004).El entrenador deportivo. Manual práctico para su desarrollo y formación. 1ª ed. Barcelona: INDE Publicaciones.
  • Pinto, D. (2004). A intervenção pedagógica do treinador sobre conteúdo específico no treino e no jogo de basquetebol.Treino Desportivo, 12-19.
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